TELEGRAFO MARECHAL RONDON
AGENTE DA HISTÓRIA Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu na localidade de Mimoso, próximo à Cuiabá, no dia 5 de maio de 1865. De descendência indígena, seus bisavós maternos eram das etnias Bororo e Terena e seu bisavó paterno era Guaná. Ficou órfão aos dois anos de idade e foi criado por seu tio e tutor, Manuel Rodrigues da Silva Rondon, que acrescentou ao seu nome de batismo o sobrenome Rondon. Iniciou a carreira militar em 1881, no 3º Regimento de Artilharia à Cavalo de Cuiabá e em 1882, ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha no Rio de Janeiro (RJ). Em 1884, foi aprovado e matriculado no curso superior da escola Militar, concluindo o curso das três armas em 1888. Neste período participou dos cursos de Infantaria, Cavalaria, Artilharia e Estado-Maior de 1ª Classe, recebendo os títulos de Engenheiro Militar; Bacharel em Ciências Físicas e Naturais e em Matemática. Foi aluno de Benjamin Constant Botelho de Magalhães, um dos mais ardorosos pregadores da Filosofia Positivista no Brasil, sendo muito influenciado pela mesma e pela qual pautou toda sua existência. Também foi adepto do abolicionismo e da república. Em 1898, abraçou o trabalho como ajudante na “Comissão Construtora de Linhas Telegráficas”, chefiada pelo então Coronel Gomes Carneiro, e dedicou-se ao desbravamento dos sertões, onde ficou consagrado por sua atitude de não hostilizar os indígenas, respeitando -lhes os direitos e garantias. Foi promovido a Major e Chefe da comissão e durante os anos de 1900 a 1906 percorreu grandes áreas do interior de Mato Grosso. Recebeu como incumbência a tarefa de ligar as principais localidades na fronteira paraguaia e boliviana com Cuiabá, instalando várias estações telegráficas. Em 1907, em reconhecimento ao seu valoroso trabalho, recebeu o convite do então presidente da república Afonso Pena para estender as linhas telegráficas até o Amazonas e o Acre. Foi nomeado chefe da “Comissão de Linhas Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas”, que mais tarde ficou carinhosamente conhecida como “Comissão Rondon”. Mais uma vez adentrou o sertão, tendo agora pela frente uma vasta e quase inexplorada área do Brasil central. Nessa empreitada Rondon acabou encontrando maiores dificuldades, devido às grandes distâncias a serem percorridas e à presença de tribos indígenas ainda hostis e arredias. A Comissão Rondon construiu 2.270km de linhas telegráficas e 28 estações telegráficas, realizou o levantamento de 50 mil quilômetros lineares de terras e de águas, determinou mais de 200 coordenadas geográficas, inscreveu na cartografia brasileira 12 rios, até então desconhecidos, e corrigiu informações sobre o curso de outros tantos. A implantação das linhas telegráficas procedeu a preciosos estudos científicos no campo da etnologia indígena, geografia, fauna e flora do extenso território percorrido. CENTENÁRIO Desde março do ano passado, a SEC, ao lançar as comemorações do Centenário da Comissão Rondon, implementou ações na área de patrimônio e patrocinou uma exposição itinerante que passou por 6 cidades sendo visitada por cerca de 60 mil pessoas. A iniciativa visava possibilitar à população contato com a história de Mato Grosso por meio de acervo fotográfico, com cerca de 30 reproduções de fotos tiradas durante a expedição, e equipamentos utilizados pela Comissão. A mostra retratou um pouco da realidade vivida pelo Marechal. Parte da fotografias foram reproduzidas do “Relatório Apresentado à Diretoria Geral dos Telégrafos e à Divisão de Engenharia do Departamento de Guerra” feito pelo Marechal. Os equipamentos foram cedidos pelos Correios, que mantém um rico acervo de materiais utilizados durante a expedição. O acervo passou pelas cidades de Cuiabá, Juara, Nova Xavantina, Primavera do Leste, Sinop e Tangará da Serra. Em Acorizal, a praça da cidade, que no início do século passado sediou os primeiros trabalhos de Rondon, ganhou um símbolo, o Marco Histórico da Comissão Rondon, inaugurado pelo governador em exercício, Silval Barbosa, o secretário de Estado de Cultura, João Carlos Vicente Ferreira, o prefeito Meraldo Sá. Em Cuiabá, no mês de maio, por ocasião do dia das comunicações, uma manifestação expositiva, na Biblioteca Estadual Estevão de Mendonça, na sala de Mato Grosso, contou com uma mostra áudio-visual com filmes sobre a vida de Rondon, painel fotográfico e palestra com o historiador Aníbal Alencastro. Em Brasília, no Senado Federal, uma sessão solene especial em comemoração do centenário da implantação da Comissão foi realizada a pedido foi feito pelo senador Jaime Campos. No Dia Nacional das Comunicações, 5 de maio, foi realizada outra sessão solene, mas desta vez na cidade natal de Marechal Rondon. A Câmara Municipal de Santo Antônio de Leverger se deslocou para o distrito de Mimoso, onde realizou a sessão na Escola Estadual Santa Claudina, seguida de várias apresentações culturais e almoço. Neste dia, foi lançado no Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso o Carimbo Postal com a imagem de um poste das Linhas Telegráficas. O carimbo foi feito pelas Empresas dos Correios e Telégrafos, que em seguida realizou uma homenagem à imprensa de Mato Grosso. Logo depois, os Correios entregaram o prêmio do Concurso de Redação de Cartas. Em agosto, foram reinaugurados o Posto Telegráfico de Pontes e Lacerda, que passou a abrigar a ‘Casa da Memória’ do município, e o Posto Telegráfico de Porto Esperidião, que se tornou a sede da Secretaria Municipal de Turismo e abrigará uma biblioteca. Em dezembro, a cidade de Santo Afonso ganhou um espaço de fomento à leitura com a inauguração da réplica do Posto Telegráfico. O local é sede da Biblioteca Municipal, que além de ter um acervo riquíssimo possui também um computador para fazer pesquisa e um ambiente para multimídia. O prédio também teve uma de suas salas ocupada pelos correios. A solenidade contou com a participação de Dona Batatinha, de 112 anos, que foi cozinheira da Comissão Rondon. MAIS REALIZAÇÕES Criado em 1910, o “Serviço de Proteção aos Índios” passou a ser dirigido por Rondon, mas sem se afastar da Comissão de Linhas Telegráficas. A instituição evoluiu e em 1939 foi fundado o “Conselho Nacional de Proteção aos Índios”, hoje conhecido por FUNAI, sendo Rondon nomeado seu primeiro presidente. Entre 1913 e 1914, Rondon participou de importante expedição ao Mato Grosso e à Amazônia Ocidental, tendo como companheiro o ex-presidente dos EUA, Theodore Roosevelt. Essa expedição ficou conhecida pelo nome de “Expedição Roosevelt-Rondon”. Entre 1924 e 1925, Rondon assumiu o posto de comandante-em-chefe das Forças de operações no Paraná (PR) e Santa Catarina (SC), combatendo revoltosos sob a liderança do General Isidoro Dias Lopes. Essa campanha culminou no combate de Catanduvas, vencido pelas forças legais, impondo a dispersão da coluna rebelde e seu internamento na Argentina. Durante os anos de 1927 a 1930, incumbiu-se de fazer a inspeção minuciosa das fronteiras brasileiras, desde o norte, até Santa Catarina (SC), no sul do país. Nesta empreitada Rondon acabou legando ao Estado Maior do Exército um acervo de filmes, fotografias, cartas, esboços e análises econômicas e sociais das regiões fronteiriças. NOME NO MAPA Rondon foi elevado ao “Marechalato” por uma lei especial do Congresso Nacional e recebeu no ano de 1936, ainda em vida, uma das últimas homenagens, tendo sido o antigo Território de Guaporé batizado de Território de Rondônia, que em 1981 foi elevado a unidade da federação, permanecendo a homenagem ao marechal.